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Minha terra eu vou cantar,
Ao noto e ao bóreas gritar,
O que à minha mente vem...
Não é berço onde nasci,
Mas a terra em que cresci,
A pátria que amo também.
É Angola minha amada,
Por Deus tão abençoada,
E que tantas b'lezas tem;
Do anil puro celestial,
Ao virente natural,
Tudo amo mais que ninguém.
Há tanto para contar,
Tanta razão pra chorar,
Bem me faz e faz tão mal...
Das praias aos matagais,
Mukixes nos carnavais,
Como tu não há igual!
Outro filho já cantava,
Que esta terra debruçava,
Debruçava sobre o mar...
"E suas ondas uma a uma,
Desfaziam-se em espuma,
As praias vinham beijar".
Da capital a rainha,
Eu faço também a minha,
Com as acácias em flor.
És tu, ó Luanda minha,
"És tu, Luanda rainha,
Senhora do nosso amor".
Amor assim também primo,
A Dundo, Andrada e Saurimo,
Onde a Lunda mais sorriu.
Foi o canto de um passarinho,
Foi onde a rola saiu do ninho,
Foi onde a infância me floriu.
Ah! Quanta, quanta saudade,
Daquela tão tenra idade...
Os jardins eram floridos,
As noites tinham poesia,
Em tudo havia harmonia,
E eram os campos c'loridos!
Mas que saudades da infância!
Quanto tempo!... Que distância,
Dos folguedos inocentes,
À sombra de hirta mangueira,
Ou nos galhos da goiabeira,
Em plácidas tardes quentes!
Esta lembrança tão grata,
Meus sentimentos colmata,
Na graça que sou tiete;
Minha prima doce e bela,
Razão de ingente procela,
E desmedido confete.
E da infância já saudosa,
Noutros sonhos cor-de-rosa,
Sonhei com grácil infante...
Oh, dulcíssima ilusão,
Tumesceu-me o coração,
Suave carinho inflamante!
Foi aquele beijo primeiro,
Que seu olhar azul, fagueiro,
Sugeriu com eloqüência!
A doçura desse olhar,
Que teimava em me fitar,
Com a mais pura inocência!
"És tu hoje, ó Zirinha,
Mui grata lembrança minha,
Lembrança do coração;
Atrás da velha mangueira,
Abrolhou pela vez primeira,
Um beijo de comoção."
Foi momento de tão puro,
Que pelo tempo venturo,
Guardei com tanta paixão...
Inda suspiro plangente,
Por esse rosto inocente,
Que em sonhos procuro em vão.
Procuro em mágicos sonhos
Os olhos doces, risonhos,
Dessa virgem pudibunda;
Mas embalde e vivo triste,
Pois da columbina existe,
Só nostalgia da Lunda
Surge a noite após o dia,
E co'ela a melancolia,
Que me enleva a meditar.
Vem a Lua majestosa,
Em auréola formosa,
Meus enlevos bafejar.
E as brumas do negro manto,
Que estrelas cobrem em pranto,
De grãos de ouro a cintilar,
Não me deixam esquecer,
Venturas desse viver,
Desses anos de encantar.
No carpir silenciado,
De saudades torturado,
Suspiro em meus devaneios.
Um proscrito, um desterrado,
Do maior bem despojado,
A terra dos meus anseios.
Pelo Cunene e Cabinda,
Por Luanda e tua ilha linda,
Choro copiosos prantos.
Dos capinzais da savana,
Ao alagadiço da tchana,
Choro sim, por teus encantos.
E de Benguela ao Moxico,
Olhando para ti eu fico,
Sem saber o que contar.
É que tens tantas belezas,
São tantas, tantas riquezas,
Que não sei onde começar.
Tua fauna e tua flora,
Da selva aos parques afora,
Também motivo de encanto.
Antílopes em correrias,
Por matas ou pradarias,
Cobertas de verde manto.
O Chipanzé engraçado,
Onça pintada e o Leopardo,
E os Guelengues aos milhares...
A Girafa graciosa,
A Palanca majestosa,
E o Gavião rei dos ares.
Rinocerontes possantes,
Búfalos e os Elefantes
E a realeza do Leão.
Os Ongiros e a Pacaça,
Todos são alvos de caça,
Por quem não tem coração.
E logo que a Lua acorda,
Lá no quimbo faz-se a roda,
Para o pobre adoentado.
Sob o rufar dos tambores,
Feiticeiro espanta as dores,
Do doente, pobre coitado.
E à volta da fogueira,
Inicia a milongueira,
O feitiço embriagado.
Chegam mukixes pulando,
Os zumbis vão espantando,
E o doente é milongado.
E faz-se roda à fogueira,
Também para a brincadeira,
Do pôr-do-Sol aos albores.
Os passos têm cadência,
Do cachipembe a potência,
Que ao povo dissipa as dores.
E por todos esses quimbos,
Secúlos em seus cachimbos,
Queimam a erva proibida.
E dança a jovem fagueira,
Que à volta da fogueira,
É graciosa e inibida.
O velho soba sentado,
De seus muanas cercado,
Assiste de orgulho pleno.
O cachimbo numa mão,
Na outra segura o bastão,
E na tez um ar sereno.
O batuque dos tambores,
Pelo terreiro e arredores,
Ressoa-nos incessante.
Do reco-reco ao kissange,
Toda a melodia range,
Num merengue inebriante.
Labaredas chamejantes,
Vapores alucinantes,
Sinuosas evoluções...
Freme o povo na folia,
E no ar sente-se a magia,
Delirante de emoções.
E no grande cafezal,
Ou fazenda de sisal,
Também a mesma magia.
Ela dá força ao irmão,
Nas fazendas de algodão,
P'ra trabalhar noite e dia.
Oh! Angola, minha Angola,
Uma alma santa acrisola,
Em teu seio um mausoléu.
Debaixo dum chão de flores,
O luto de minhas dores,
Por minha mãe, novo céu.
Quis Deus que dor prematura,
Em teu ventre a sepultura,
Abrisse ao sagrado bem.
Minha alma tão dolorida,
Deixaste-me, mãe querida,
Quando foste para o além.
Guarda Angola em teu ventre,
Essa minha dor premente,
Dor de profundo sentir...
Que os mistérios do além,
Desvendados por mamãe,
Abrir-se-me hão no porvir.
Quanto me punge a saudade,
Quanto amor pátrio me invade,
Em meu peito, o coração!
Se nasci pr'além-do-mar,
Aprendi bem a te amar,
Mais que permite a razão!
E se aí não fui nascido,
Porém sou filho querido,
Por tanto te querer bem;
Mas se não és berço meu,
És onde meu filho nasceu,
Que te quer muito, também.
E por essa terra andando,
Foram-se os anos passando,
E suor e sangue jorrei.
Das lágrimas já não digo,
Pois estava aí contigo,
Só depois as derramei.
Daquelas manhãs amenas,
Mornas tardes, noites s'renas...
Só saudades na lembrança!
Ao brado dos coronéis,
Despertaram-se os quartéis:
- Avante inglória matança!
E jamais viste alvorada,
Tão fria e plúmbeo borrada,
Sobrepor ígneas auroras;
Aljôfares do cacimbo,
Rolam plangentes no quimbo,
Como lágrimas que choras.
São lágrimas estas de sangue,
Que escorrem por corpos langue,
Esquálidos e chagados.
Nênias tristes e canoras,
Elevam-se quando tu oras,
Pelos filhos imolados.
Imponente e solitário,
O Embondeiro centenário,
Ouve o cantar dos fuzis...
E no deserto teimosa,
Planta rude, mas formosa,
A Welwitschia-mirabilis.
Angola terra distante,
Pintada inferno de Dante,
A ferro e fogo de ateus.
Terra de tantos mistérios,
Transformada em cemitérios,
Mortalha p'rós filhos teus.
És fonte de muito amor,
Mas também de pranto e dor,
Sobre o luto dos mausoléus;
Sopram ventos de desgraça,
Que alastram negra fumaça,
Contra preceitos dos céus.
Por infinitas riquezas,
E tantas, tantas belezas,
A cobiça despertaste!...
E a luta pelo poder,
Que te imolou no sofrer,
Pintou-te negro contraste.
Das potências a cobiça,
Como urubus à carniça,
Duma ganância infinitas...
Soltaram-te dos grilhões,
P'ra te jogar aos canhões,
Detonar minas malditas!
Turbaram-te a vida calma,
Ao te mutilarem a alma,
E amputarem filhos teus;
Foste carne p'ra canhão,
Deceparam-te o coração...
Que mais te espera? Meu Deus!...
Oh, que dantescos martírios,
Impõem insanos delírios,
De alóctones alienados!...
Saídos de cadóz fétido,
Estropiaram-te o ar lépido,
E anseios justos sonhados.
Deves ao pátrio poder,
O fado de padecer,
Por não ter-te guiado os passos.
Mal do berço te saíste,
E pr'aventura partiste,
Num mundo d'espertalhaços,
Qual rola que sai do ninho,
Num bater de asas mansinho,
No vôo não se sustém.
De carminado começo,
Próceres deram-te preço,
De mão rapace és refém.
Se os beócios do poder,
Que ditaram teu sofrer,
De além-mar te condenaram,
Inda assim vingue a esperança,
Num futuro de bonança...
-Que ainda não ta tiraram!
Pois que beleza infinita,
Há de ser sempre bonita,
Debalde tanta desgraça.
Os canhões hão de calar
E o sol voltar a brilhar,
Louvando sofrida raça.
De Luanda capital,
Ao quimbo no matagal,
Há 'sperança em cada lar;
E nas sombras de tristeza,
Brilha um gesto de certeza,
Que o sorriso há de aflorar.
Ao som dos ecos da guerra,
Canto em prantos minha terra,
Com brados por liberdade...
E minha alma ora suspira,
Lamentosa, banha a lira,
De lágrimas de saudade.
Ao som dos ecos da guerra,
Canto em prantos minha terra,
Prantos de me enlouquecer...
Canto plangente de dor,
Saudades cheias de amor,
Lágrimas que não sei ater.
Ao som dos ecos da guerra,
Assim canto minha terra,
E muito inda hei de cantar!
Então minha alma suspira,
Tomada por esta lira...
- São nênias do meu chorar!
Teixeira Alves |
PAIXÃO DA INFÂNCIA
Que momento casto, puro,
Que em sonhos qu’ridos procuro,
Embalde, os delírios de outrora!
Que rosto formoso, inocente,
Que saudade doce, plangente,
Que no fundo do peito mora!
Rosto d’anjo e olhar de luz,
Rosa e neve as faces reluz,
E a meiguice da inocência...
E na alma tantos anseios,
Tantos sonhos, devaneios,
Próprios da pubescência.
É u’a virgem inocente,
Que me cinge eternamente,
Nos anelos qu’inda ensejo...
É a luz da minha vida,
De minha infância querida,
É o anjo por quem doudejo!
Oh! Que saudades!, que flores,
Que inebriantes odores...
Que hinos à inspiração!
Meu Deus! Como eu gostaria...
Que loucuras ousaria,
Por volver essa paixão!
Porém não posso volvê-la,
E enquanto tento esquecê-la,
Deleito-me em devanear.
Devaneios que esvaecem,
Perfumes que desvanecem,
Desatinam-me ao espertar.
Nesses momentos silentes,
De plácidas noites quentes,
Mais me invade a solidão;
E dessa alma puelar,
Vêm sonhos devassar(-me),
Recônditos da paixão.
Dessa angélica pudente,
A brisa traz-me gemente,
A inocência dum suspiro;
Um suspiro de ventura,
Que malgrado o tempo dura,
Teima em ficar e o respiro.
E eu fico triste a cismar,
Quanto na mente durar,
Essa ventura d’infância.
Cismo pelo céu de anil,
Desse olhar primaveril,
De inefável rutilância.
Cismo sim e solitário,
Co’este fado meu calvário,
Que deleita e me tortura.
Deleita-me a veleidade,
Mas tortura-me a saudade,
Do tempo que não perdura!
ATA
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CHUPA QUE É CANA DOCE!
Chovi paulada por todo lado,
Tô moído de tanto apanhá,
E rogo a Deus em mê postulado,
Qui mande um anjo prá mi sarvá.
Foi po causa do guri do cravo,
Qui tapa cano na banda de lá,
Prós mirico de cruel agravo,
Seus fuzi não podê dispará.
Eis que o Artíssimo apiedado,
Manda o Luis prá mi ajudá,
Batendo o gongo no tablado,
Das injúrias qui chegam cá.
Obrigado, Luis camarada...
Epá! retiro pra não chatiá,
Essa palavra vil manchada,
Do virmelho sangue a jorrá.
Di sangue tá cheia a veronha,
Qui no gado vai si sevá;
E di virmelho só a vergonha,
Qui faz na tumba Henrique chorá.
Ora pois, pois! Lá morrem as bacas
E cá ficam os vois... oxalá!
Olha que o empíreo é dos babacas,
E eu teimo no meu véio pensá!
ATA
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MÃE!
Doce e terno sentimento,
Que em simples pensamento,
Invade a alma do bom filho.
Doce palavra! ao pronunciá-la,
Enche-nos a alma de ternura,
Como se feita de doçura,
De carinho e amor bento.
Não tem a mãe para o filho,
Dia de mais ou menos brilho,
São todos lágrimas de amor.
Vamos por isso fazer,
De todo o nosso viver,
Em honra às mães da DIA,
Um justo dia das mães!
ATA
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Impressionado estou eu, Annocas, mas feliz p'la companhia,
Pois é tão raro encontrar, no caminhar do dia-a-dia,
Numa só flor reunidas, a delicadeza e a candura,
Que à rosa dá o perfume e ao jasmim a brandura.
Brotas tanta inspiração,
Do teu imo ao verso feito,
Que, oh!, julgo, me requestas!
Continuando desse geito,
Ouvirás meu coração,
Falar-te duma paixão,
Germinante em lato peito!
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Oh! Ana, deixa que revide:
Não sejas assim modesta!
Dos que pequenos se julgam,
Feitos grandes é que dão festa!
Que a modéstia não te intimide,
Ou mais pobre há de ser a lide,
Sem o estro que a lira enfesta. |
Ana, despiste-me o manto
de vaidade que me cobria
mostrando-me o quanto
fátua é minha poesia;
Mas rasgos de inspiração...
pena é que aqui na DIA
não manem afloração
perene, como deveria
Vamos imitar a Ana?
Abel.-
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| honni soit qui mal y pense”*
Mas, caríssima amiga,
Não vejo caber razão,
De continuar esta briga,
Mister sendo a inspiração.
Mas se à rima fazeis gosto,
Dou réplica ao desafio,
E rendo-me ao pressuposto,
De rimar versos a fio.
E se for, nesta empreitada
Consentido o laurear,
Invoco do Olimpo as musas,
Que me venham inspirar.
Mas temo que assim não seja,
Que isto de guerra do sexo,
Com poesia na peleja,
É duvidoso e complexo.
De tal sorte é duvidoso,
Traçar armas com poesia,
Que vencido ou vitorioso...
Quiçá finde em doce orgia.
E não pode a lira cantar,
A mulher com desfavores,
Que pôde tão alto louvar,
Dos líricos escultores.
Como as imortalizadas,
Beatriz, Dinamene ou Laura,
Ardentemente cantadas,
Por almas de divina aura.
As mulheres são divindades,
Com tal arte sublimadas,
Pelas doutas sumidades,
Das palavras bem cantadas.
Ai de mim o sacrilégio,
De fugir aos doces cânticos,
Exaltados pelo egrégio,
Patriarca dos românticos.
Enfim, vedes cara amiga,
Quão terrível a heresia,
Seria usar esta cantiga,
Pra desm’recer-te e à poesia.
Teixeira Alves
* “Envergonhe-se quem nisto vê malícia”
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| APÊNDICES
Aos maridos que de tão bem-casados
na testa lhes nascem uns floreados...
Senhora, pelo pudor
Que tanto vos arvorais,
Imploro-vos comedido,
Entusiasmo e nada mais!
E em bulir se não pejais,
Cuidai que frivolidade,
Não se preste a vãos caprichos,
De latente crueldade;
Que em prol da fútil vaidade,
Haveis de assédio valido,
Pr'atiçar rúbeo braseiro,
No letargo adormecido;
Mas sobejo e conhecido,
- De vossa alma parcos cevos -,
A falta de sentimentos,
É mor de vossos relevos.
(De suspirados enlevos,
Em meu solitário canto,
Vivo a paz do moribundo,
E nem mais almejo tanto).
Destarte não causa espanto,
Propósito tão nefando,
Que despejo e persistência,
Sirvam a vosso desmando;
E em assim continuando,
Ao Senhor vosso esposo, hei
Adornar tão bela fronte,
Com hirtas hastes da grei.
(Não uso e nem usarei,
Paramentos ou batina,
Pois é fraca a humana essência,
E vossa alma é Messalina).
Armações da grei caprina,
São adornos cobiçosos,
Como são os da vacagem,
Por cornudos orgulhosos.
Mas nem todos os esposos,
Por amarem cegamente,
Os apêndices cornígeros,
Distinguem prontamente.
(Diz o povo sabiamente,
- E se o diz, é sem pudores -,
Que uma cabeça sem cornos,
É como um jardim sem flores).
E de tantos portadores,
Há razões de perguntar:
Saíu do curral o gado,
Ou o curral é nosso lar?
Ora eu devo acrescentar,
Em minha humilde elegia,
Que a cabeça sem adornos,
É um livro sem poesia;
E os há p'ra toda a mania,
Mas não de ser escolhidos,
Pois sutil é o Ricardão,
No gozo dos ofendidos.
E desde os tempos mais idos,
Dos palácios à maloca,
Pobre ou rico, “urbe, et orbi”,
Alvos de hílare fofoca.
Infeliz! No que me toca,
De tão desafortunado,
Eu sou dos chavelhos tais,
Té no infortúnio poupado.
Destarte, Senhora, acuado,
Por vossa inconveniência,
Padeço cruel duvida,
Desta sorte e incontinência.
Da dúvida faço ciência,
A modo de vosso cuidado,
Que o pejor pode enganar,
Ser de vós enamorado.
E não me há de ser forçado,
Em cálida enfermidade,
De volúpias me perder,
Nos braços da insanidade.
Ora se há de insanidade,
Da paixão curar a dor,
Que não seja um par de chifres,
O desencanto do amor!
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As tuas linhas que tão amavelmente,
A simpatia aqui deixou grafadas,
Depois de lidas e saboreadas,
Alçaram-me o ego, soberbamente.
Como da fonte, a água livremente,
Verte mansa entre folhas agitadas,
Assim meu estro, em linhas mal rimadas,
Verte da alma, os segredos, sutilmente.
Mas aqui, onde o conviver humano,
Descobre abrigo certo e acalorado,
Não crepita a chama do ardor vesano.
E quando o fogo é brando e descuidado,
O peito é rudo e frio, é desumano,
Profana o estro, do vate, triste fado.
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Tu fazes
Amiga
Com tal
Poesia
Que eu sinta
Meu peito
Inchar
E arfar
Cá dentro
De mim.
Espero
Que sintas
Em cada
Versinho
O imenso
Carinho
Que deixo
Aqui!
Espero
Que sintas...
No teu
Poemeto
Derreto
D'orgulho
E debulho
Meu pranto
Que verto
Sem fim.
- Desculpa,
Sou assim...
Espero
Que sintas
Das rosas
Formosas
Os doces
Aromas
Como eu
Senti!
Espero
Que sintas!
- Desculpa,
Sou assim...
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