Verdade
 
Sentado à porta da minha choupana,
Com a alma cansada e dolorida,
De pensamentos mil embebecida,
Sublime efeito desta essência humana!
 
E absorto na ilusão que a alma engana,
Eu tento ver qualquer coisa perdida,
Coisa irreal, talvez indefinida,
No místico sol-pôr, na luta insana.
 
E, absorvido por vâs recordações,
Cujo saber eu fruo com saudade,
Eu construo castelos de ilusões...
 
...Mas, quando sou chamado à realidade,
Vejo ruir as frágeis construções
Que idealizei fundadas na verdade!...
    
                               Vicente Martins