Aeródromo Portugália

DIAMANG Pág. Superior Aeródromo Portugália Comércio de Borracha

 

"Foi inaugurado o aeródromo de Portugália"


Jornal de "Noticias de Angola" - "Bissemanário Independente do Povo e para o Povo" de 12 Junho 1958 , encontrei na 1ª página, canto inferior esquerdo a seguinte noticia:


Foi inaugurado ontem o campo de aviação de Portugália, na sede do concelho de Chitato - distrito da Lunda. A pista permite a aterragem dos bimotores "Dakotas".

Trata-se dum importante melhoramento pois permitirá a deslocação rápida entre aquele distrito e a capital. além disso no futuro os empregados da «Diamang» não devem necessitar de ir ao Congo Belga para tomarem os aviões que os transportavam a Lisboa* "

* nota minha (Isabel Reis): tanto quanto me lembro os nossos pais faziam a viagem via comboio e station; não me recordo de qualquer relato de apanharem o avião no Congo Belga;

* nota de Diana Andringa: Eu lembro-me de, muito pequena, ir apanhar o avião ao Congo Belga. E ver Brazza do outro lado.

 

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ainda no "Noticias de Angola" mas agora de 23/06/58 vem na pág 4 a seguinte noticia:

"Aeródromo de Portugália"

Efectuou-se a inauguração oficial* do aeródromo de Portugália , no distrito da Lunda, com escala por Malange e Henrique de Carvalho.

Os passageiros para Portugália devem apresentar-se munidos da «necessária autorização da Diamang». a passagem de ida e volta Lunda-Portugália e vice-versa custa 3.084$00 e a de ida 1.713$00".

* nota minha (Isabel Reis): julgo que se estivessem a referir ao primeiro avião a chegar

 

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Resposta de Jorge Mendonça Santos à noticia saída sobre a inauguração do aeroporto de Portugália e à minha nota de referente à mesma.

Isabel - Tu estás cada vez mais prolixa! Li as tuas pesquisas pela Biblioteca e por isso tenho que complementar as tuas informações. Regista que eu não duro sempre.


As primeiras viagens de que me recordo nas idas para as Africas, como então se dizia, começavam em Lisboa no cais da Rocha Conde de Óbidos ou de Alcântara onde se embarcava no paquete transatlântico. Lembro-me do João Belo, Niassa, Império, Pátria, Vera-Cruz, Santa Maria e Infante D.Henrique.


A Viagem durava cerca de 14 dias até Luanda e depois mais um até ao Lobito. Os navios faziam escala, ao largo porque não havia portos, no Funchal e em S.Tomé.


Do Lobito íamos apanhar o Camacovo em Benguela que demorava dois dias e duas noites até chegar a Vila Luso, com paragem em todas as estações e apeadeiros e com as faúlhas a saltarem durante as noites, espectáculo lindo de se ver e admiravelmente cantado pelo Fausto no Comboio Malandro!


Chegados a Vila Luso, íamos para a Casa de Trânsito da Diamang onde ficávamos até termos os transportes dos carros da Kapa (Chevrolets), o do velho Sr. Domingos era de cor castanha e com décor de ripas de madeira e, mais tarde pelos Land-Rover em que cheguei a fazer uma viagem em que levávamos connosco uma onça bebé destinada a Saurimo e que quando lá chegou e se espreguiçou tudo o que era canzoaria desapareceu num ápice.


A viagem de automóvel durava pelo menos dois dias com descanso em Saurimo depois de termos passado pelas maravilhosas Quedas do Dala onde normalmente se almoçava.


Mais tarde, com o advento do avião, primeiro o Cessna do muata Valente e depois as carreiras regulares dos DC3 (Dakotas) acabou a viagem romântica.


As viagens de avião para a Metrópole eram feitas via Luanda e depois os Superconstelation (4 motores) demoravam cerca de 16 horas com escalas, primeiro em Leopoldville (Kinshasa), depois em Niamey e/ou Kano.


Só após a proibição de sobrevoo dos países africanos se entrou na era do Boeing 707 sem escala.