KONGOLO (arco-íris)
In: Crenças , Adivinhação e Medicina Tradicionais dos
Tutchokwe
do Nordeste de Angola
Autor: João Vicente Martins;
Edição do Inst. de Inv. Ciêntifica Tropical - Lisboa 1993 - CDU
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Segundo a crença geral dos povos do Nordeste de
Angola, o arco-íris é obra de uma espécie de sáurio, a que chamam kasulo, ngenda ou
kongolo (Holaspis guntheri) que, no lombo, tem riscas longitudinais pretas sobre fundo
branco-amarelado e azul, lembrando os traços paralelos daquele fenómeno atmosférico.
Assim, o arco-íris é, para estes povos, nada mais nada menos do
que o hálito expelido por este sáurio, quando está farto de chuva e deseja que ela
termine. Com tal poder, os caçadores e os feiticeiros procuram-no com avidez para o
meter, juntamente com outros remédios mágicos, na sua uta (arma), associado à
carga que atingirá qualquer ser vivente a quem for apontada.
Dão também o nome de kongolo à cobra-arco-íris
(Boffiroplitholmus lineatus).