Magia do Amor

DIAMANG Pág. Superior Folclore Quioco Lenda do Nzambi Magia do Amor Aliança pelo sangue Mau Olhado Impotência Kongolo

 

 

In: Crenças , Adivinhação e Medicina Tradicionais dos Tutchokwe do Nordeste de Angola
Autor: João Vicente Martins;
Edição do Inst. de Inv. Ciêntifica Tropical - Lisboa 1993 - CDU 398.3:008.2:615.89:301.185.1(673)

 

Quando um homem deseja possuir uma mulher de quem gosta e ela não corresponde ao seu amor, este, entre outras coisas, faz um remédio mágico que mete num vaso feito de uma pequena cabaça.

0 remédio é feito da seguinte forma: o amoroso arranja três penas, uma encarnada, do rabo de um papagaio, outra branca, do rabo de uma carraceira nange (Bubuldis ibis), e outra preta, do rabo de sehelela (Prionops poliocephala), pequeno pássaro cuja plumagem e preta e branca. Arranjadas as três penas, mete-as no referido vaso e vai procurar algumas folhas de mukefe, e um pequenino ouriço de imbualatata. Obtidas estas coisas, seca-as e tritura-as. Depois de amassar este pó com óleo de rícino e mukundu, põe a pequenina bola que fez, dentro do vaso, sobre as três penas já lá metidas, colocando depois o recipiente sobre a porta e junto ao tecto da sua casa.

Feito isto, todos os dias, ao levantar-se da cama besunta o dedo médio da mão direita com aquele remédio mágico e esfrega-o na extremidade do esterno para que o seu coração chame a si o da mulher de quem gosta. Em seguida, esfrega com ele as mãos e a cara para que os seus olhos atraiam e as suas mãos agarrem aquela mulher por quem se sente apaixonado.

No próprio dia em que fez o remédio, da primeira coisa que lhe oferecerem, geralmente comida, coloca um bocadinho no meio daquela droga milagrosa para o que a trespassa com um pauzito afiado. Este acto tem o poder de, quando ele der alguma coisa à sua amada, esta a receba e lhe toque o coração. Se o facto de se esfregar todos os dias, com o remédio mágico, não for suficiente para atrair para si aquela de quem gosta, então procurará assar um bocado de carne que besuntará muito levemente com a droga que manipulou.

Depois oferecê-la-á à mulher naquele mesmo dia. Se assim proceder e ela comer tal isca, ficará para sempre no anzol; entregar-se -lhe -à imediatamente, seja solteira ou casada.

Se ela não comer a carne, nem lhe tocar com as mãos, procurará oferecer-lhe a droga metida em tabaco ou em qualquer outra coisa, visto que, este mágico remédio, desde que uma mulher o tome ou lhe toque o corpo, imediatamente sentirá uma atracção tal por quem lho deu, que jamais será senhora de si, se não se entregar ao seu sedutor.

0 que se dá com o homem pode também suceder com a mulher, desde que goste de determinado homem e este não mostre grande interesse por ela. Entre outras magias, a mulher preparará a seguinte droga que julga ser também infalível:

Arranja uma pena de sehelela e um bocado de tecido do fato de um mukiche (mascarado), a que junta um pedaço do pano, que ela tenha usado para tapar as partes pudendas, durante a última menstruação, bem ensanguentado. Queima tudo junto, metendo, em seguida, a cinza obtida numa vasilha com óleo de palma, que a absorve imediatamente. Depois apanha um kajinga-meia (pequeno insecto que anda sempre sobre a água), mata-o e coloca-o no meio daquela droga.

Obtido tal óleo mágico, procede da mesma forma que o homem, procurando que ele o absorva na comida ou lhe toque o corpo.