Cavalos

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Histórias da escola de Equitação do Dundo por quem exerceu a arte de bem cavalgar a toda a sela!

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Começou por dizer o Jorge Mendonça Santos:

Eu comecei a montar com cerca de 8 anos de idade e até parece que não me safava nada mal. Segundo os entendidos, leia-se professores, o Martinez e o Bonito, só seria bom cavaleiro quem caísse pelo menos sete vezes! Ora como eu já ia em cerca de 14 quedas, provavelmente era duas vezes bom cavaleiro! Mas a historinha não é esta.

Se bem se recordam havia uma série de indígenas que trabalhavam só nas cavalariças, na manutenção dos cavalos. O mais velho de todos, completamente careca, bem mais do que eu sou hoje, era o velho Samajanja de idade indefenível e feitio execrável quer connosco, quer com os próprios cavalos. O velho Samajanja creio que conheceu todos os cavalos desde o início, a começar por um que era zarolho, segundo conta o meu pai mas que eu me não lembro. Os mais antigos de que me lembro eram o Havano, um cavalo grande, já branco de ser velho de 18 anos, burro até dizer chega e que dava traques atrás de traques! Coitados daqueles que fossem atrás dele! O outro cavalo mais antigo era o Namorado, cavalo pequeno, muito nervoso e que só fazia alta escola por ter sido cavalo de toureio, normalmente montado pelo Branco, lembram-se dele sempre muito bem penteadinho com carradas de brilhantina?

Pois como ia dizendo, o velho Samajanja tratou de todos eles e dos seguintes, que mais tarde se quiserem também aqui recordarei, até mais ou menos finais dos anos sessenta, altura em que foi despedido. Só soube do seu despedimento já cá no puto e fiquei espantado. Ao fim de tantos anos, despedido? Soube então do resto da história pelo Bonito. O velhote, já estava farto de tratar de cavalos e como eles nunca mais acabavam, resolveu começar a envenená-los e os cavalos começaram a adoecer e alguns a morrer. Finalmente lá se descobriu o porquê e o Samajanja lá confessou a sua desdita porque, terá dito ele, nunca gostou de cavalos e já estava farto deles!

E acrescentou o Vitó Valente:

(...) Não me lembro desses cavalos todos de que falas - no meu tempo o Riley era o soba da cavalariça... deu uma dentada à Zélinha  para a tirar doutro cavalo (o Azedo), por ciúmes.

Ao que se seguiu uma achega do Luís Valente:

Eu lembro-me bem dos garranos embora na minha altura já ninguém os montasse. O Vitó é que tem umas boas histórias com os garranos pois foi uma vez parar ao hospital pisado por um (ou foi um coice?). Mas não me lembro dos nomes deles.

Lembro-me do Riley embora nunca o tivesse montado. O Azedo, sim, foi o meu cavalo de aprendizagem. Lembro-me vagamente do Caprichoso. Havia também o Dique que era um cavalo um koshe traiçoeiro. O Azall era o cavalo preferido do Vitó . Havia também o Alazão (não estou muito certo do nome) que era castanho e que, salvo erro, está na foto do Zé Tó Macedo Simões que a Mona mandou hoje. Também o montei muita vez. Era um cavalo típico do Far West americano (raça?). E havia um puro-sangue todo preto que apareceu já nos anos 70. O Vitó e o Pipas montaram-no (ou tentaram). E lembro-me das peripécias quando o Bonito com a nossa ajuda tentou que o cavalo cobrisse uma das éguas. Foi uma coboiada!!!

Ao qual ripostou o Vitó Valente:

Creio que o Azedo e Azal foram os últimos cavalos vindos do Puto. Depois o Sr. Bonito (...) foi à África do Sul buscar o Inge (novinho, belíssimo e pouco trabalhado) e a Hialurgia (égua puro-sangue Inglês, ex-corredora) que andava que não era fácil... O  fartámo-nos de gozar com estes dois - fazíamos corridas no ex-campo-de-golfe à frente da K-18. E, guiados pelo Bonito, treinámos o Inge para começar a fazer alta escola. Tenho uma vaga memória dum Jalopy que talvez também tenha vindo da A. do Sul, alguém se lembra?? Por esta altura já os garranos não eram montados (excepto pelo Pipas , Zé Santos Sousa e eu, donde a história que já vos contei do Zé ser perseguido por um dos tais garranos...) - também não me lembro dos nomes deles. O Azal e o Inge eram os meus cavalos preferidos, passei muitas horas na cavalariça com eles... Luís a história de eu ir parar ao hospital passou-se ao princípio (meados da década de 60) com uns animais (parece-me que havia 2) que não eram cavalos nem garranos, antes pelo contrário (provávelmente fruto de trancadas furtivas cavalo/garrana quando o Bonito não estava a ver...). Uma destas bestas deu uma pirueta tal que eu caí entre as patas traseiras do bicho e como ele continuou a escoicear esfolou-me as costelas... O Dique era um cavalo castanho, pequeno e, como dizes, bera como a cobras. O que está na foto com o Zé Tó Macedo Simões era uma pileca de primeira, muito querido do Zé Santos Sousa, mas não me consigo lembrar do nome dele (não era Azalão...).